O que é um thriller?

A palavra vende e todo mundo gosta. Mas ainda há um pouco de confusão no Brasil sobre o que exatamente é um thriller. Vamos aprender?


Em primeiro lugar, é bom deixar claro que estamos falando de literatura e não química, então não existem respostas certas, mas existe conhecimento e alguns consensos sobre o assunto. Portanto, lembrem-se que as explicações abaixo não servem como palavra final, mas são frutos de anos de pesquisa sobre thrillers lá fora e aqui em terras tupiniquins. Se você é escritor, leia Santa Adrenalina: um guia para quem quer escrever thrillers, já na sua segunda edição pela Editora Lendari. (clique aqui para conferir o livro na Amazon e aqui para conferir a edição impressa no site da editora).


Thriller é suspense?

Não! Suspense é um ingrediente que deve estar presente em qualquer obra que queira deixar o leitor preso e empolgado - até romances de época têm suspense. O thriller é um livro que promete: altos e baixos emocionais (como uma montanha russa), surpresas e plot twists, momentos de alto risco para personagens e muita adrenalina. Só isso.


Um bom thriller precisa de envolvimento do leitor. Precisa de surpresas, viradas na história, personagens com quem eles podem se identificar, torcer, e admirar. Bons thrillers mantêm a tensão entre uma cena de ação e outra, jogam obstáculos cada vez maiores no caminho do protagonista, apresentam conflitos internos angustiantes. Podem ter cenas de sexo eletrizantes e momentos de puro horror.

Thriller é um gênero?

Em teoria, não, mas na prática, acabou virando né? Eu digo, "em teoria não", porque o thriller é mais próximo de um estilo de livro, que pode ser de diversos gêneros, como ficção científica, horror, policial, erótico... Por isso é comum, no exterior, ver livros descritos como Legal thriller, sci-fi thriller, action thriller, etc. Isso signfica que são livros de determinado gênero, com um ritmo de leitura rápido, direto, com cenas explosivas, muita tensão e um plot twist dando uma voadora no seu peito quando você menos espera.


Claro que na prática, acabamos chamando de thriller os livros dos gêneros policial, crime e suspense que são rápidos e gostosos de ler, além de oferecerem altas doses de adrenalina e unhas mordidas. Não há nada de errado com isso, desde que não limitemos thriller apenas a esses gêneros.


O que é um thriller psicológico?

Eu sou a chata que tenta explicar que temos usado errado esse termo, mesmo sabendo que não vai adiantar, uma vez que acabou pegando e não serei eu que mudarei isso. Mas para quem quer saber, chamar livros como Verity, Garota Exemplar e Flores Partidas, por exemplo, de thriller psicológico é errado. Esses livros são do subgênero do suspense domestic noir. As prórpias autoras de domestic noir rejeitam o termo thriller psicológico.


O thriller psicológico tem seus maiores eventos de narrativa acontecendo apenas na cabeça dos protagonistas, são jornadas conflituosas, mas interiores (leia os livros da Paula Febbe se quer um genuíno thriller psicológico). Já os livros mencionados acima são domestic noir - os eventos da trama são reais e acontecem no mundo real, geralmente no ambiente doméstico, com twists, segredos e surpresas e quase sempre focados no lar - casamento, filhos, família, adicionando elementos de crime. Outra coisa legal dos domestic noir é que eles exploram a figura feminina de jeitos não tradicionais.


Para saber tudo sobre thriller psicológico x domestic noir, leia este post.


Então... o que eu faço com essa informação?

Você pode e deve continuar usando o termo thriller para descrever seus livros policiais e de suspense preferidos, claro. Mas entenda também que as editoras têm mania de chamar de thriller livros que não o são, que não oferecem a você uma história intensa, eletrizante e hiper surpreendente. A palavra, como eu disse antes, vende, e tenho visto livros policiais comuns, suspenses leves e até monótonos sendo chamados de thrillers como truque de marketing. Tente não cair nessa se estiver procurando por thrillers intensos.


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