Como escrever thrillers: dicas para escritores


O thriller é o gênero do momento - nas séries, filmes e literatura. Se você é um escritor iniciante, é provável que já tenha tido algumas boas ideias para um bom thriller, seja ele jurídico, criminal, tecnológico ou psicológico. Neste post, eu não proponho ensinar tudo sobre a escrita de thrillers, mas vou te dar algumas ferramentas e dicas para que comece a planejar e colocar sua história no papel. Eu escrevo thrillers há décadas, estou no mercado há 6 anos e já tenho seis romances publicados. Mesmo assim, nem todas as minhas dicas vão servir para todos os escritores. Aproveite o que puder e descarte o que não te interessar. E mãos à obra. Não se intimide – seu thriller só vai ficar pronto se você persistir.


Obs: Este post tem 10 dicas, então é dividido em 2 partes. É muito importante que você leia as duas para melhor aproveitamento do conteúdo.


1- Escolha uma boa premissa “e se...?”


A premissa é o ponto de partida da sua história, a promessa da trama. As melhores premissas são baseadas em situações “e se...?”. Pense no filme Yesterday, por exemplo. Ele é baseado na premissa “e se os Beatles nunca tivessem existido, exceto para um cara?”. A partir daí, a premissa ganha vida com detalhes que a potencializam: “e esse cara, além de ser fã dos Beatles, é um músico desconhecido.” A partir daí, escolhe-se um tema que vai orientar o caminho da trama. No caso de Yesterday, é o amor.

Já que estamos falando sobre thrillers, pense numa premissa “e se...?” relacionada a segredos, crimes, perigo e morte. “E se...um dia você chega no seu escritório e sua colega de trabalho desapareceu?” e incremente a premissa: “ninguém no escritório parece conhece-la. Você acha que está ficando louca(o).” Então complemente com a primeira surpresa: “você percebe que na correria, não ligou seu celular. Ao iniciar o aparelho, suas mensagens de WhatsApp começam a chegar. Há uma mensagem da sua colega desaparecida que diz: o chefe me chamou para falar com ele depois do expediente. Estou apreensiva, não gosto do jeito como ele olha para mim. Te ligo quando acabar.”

2- Pense num tema


Embora o objetivo principal de um thriller seja contar uma boa história, essa história sempre fica mais densa e interessante quando existe sob a sombra de um tema. Seu tema pode ser vingança, traição, inveja, morte, superação, etc. Pense num tema como a parede de uma brincadeira de esconde-esconde, que durante toda euforia você corre para tocar de vez em quando. E não pare aí. Para dar dimensão ao seu thriller, pesquise outras obras que abordem o mesmo tema: filmes, livros, séries, peças de teatro, novelas. E use essas referências, de forma astuta, no seu livro. Por exemplo, se seu tema for “loucura”, você pode plantar referências na história, interagindo com seus personagens; sua protagonista está zapeando por canais na TV e encontra uma adaptação cinematográfica de Hamlet, no quarto do seu vilão há um papel de parede amarelo...




3- Escolha uma ambientação que potencialize os elementos de perigo da trama


Se sua história pode acontecer em qualquer lugar do mundo, há algo de errado nela. A ambientação é extremamente importante para dar a história uma identidade própria, dimensão e vivacidade. Escolha um lugar que contribua para os elementos que tornam seu thriller mais tenso, angustiante, claustrofóbico, aterrorizante ou sexy. O thriller erótico Corpos Ardentes, por exemplo, está ambientado numa temporada de calor extremo na Flórida. Meu thriller, Inferno no Ártico, acontece na época de 65 dias de pura escuridão na cidade de Barrow, no Alasca (a protagonista brasileira do livro, Barbara, sofre de nictofobia- medo do escuro). Escolha uma cidade – ou crie uma – e pense em elementos naturais (tsunamis, tornados, frente fria, calor angustiante, paisagens paradisíacas ou áridas, presença de animais perigosos, etc) que vão ajuda-lo a construir o palco ideal para aquela história.

4- Faça um planejamento da sua trama

Estudo de personagens, outline, pesquisa – tudo isso é fundamental para a escrita de um bom thriller. A estrutura que eu prefiro é a de 8 pontos de Nigel Watts, mas você pode juntar o primeiro ponto com o segundo, para seu thriller já “fisgar o leitor” logo na primeira página. Comece com o gatilho, não o stasis. No meu livro, Santa Adrenalina: Um guia para quem quer escrever thrillers, eu falo sobre diversas formas de estruturar uma história, passando pela estrutura clássica em 3 atos, a Jornada do Herói, pirâmide de Freytag e pontos de Watts, e sugiro adaptações em todas essas estruturas para que sejam mais adequadas para thrillers modernos. O importante é que você estude a história que está criando – seus personagens, os pontos de virada da trama e o mundo que está erguendo – antes de começar.

5- Escolha bons personagens para cumprirem funções na trama


A escolha de personagens dever servir à trama. Você vai ter personagens grandes – protagonista(s), antagonista(s) e outros que têm influência direta nos eventos da trama (interesse amoroso, aliados, etc). No entanto, é importante elencar também os personagens secundários e suas funções, que podem ser: entregar informações ao leitor/outros personagens, servirem como confidentes, ajudantes, contrastes, etc. Há também personagens de papelão, aqueles que aparecem em apenas uma cena e são facilmente identificados por tipo – policiais, médicos, transeuntes, vítimas, etc.

Para os personagens principais – protagonista e vilão, vale a pena fazer pesquisa intensiva (principalmente em função do seu passado, profissão, personalidade, etc). Algumas pessoas usam fichas de personagens, outras, questionários imensos. Faça o que funciona para você, desde que conheça esses personagens intimamente. Para os personagens grandes, não é necessário chegar a fazer o mapa astral deles, mas é importante dar vida a eles – comportamentos dominantes, voz própria, motivação, defeitos, trejeitos, etc. Os personagens secundários exigem menos pesquisa, mas mesmo assim devem ser críveis. Os personagens de papelão não exigem muita elaboração.

Sugiro que pesquise os tipos de personagens, arquétipos, tropos, etc. para se tornar um escritor melhor. No Santa Adrenalina eu falo sobre desenvolvimento de personagens, tipos (personagens espelhos, contrastes, falsos antagonistas) e outros aspectos fundamentais na criação deles, como backstory, traumas e medos.


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