Os Elementos do Thriller de Tribunal


Uma ajudinha para o escritor e uma leitura gostosa para os curiosos


Seja em filmes ou livros, a ambientação do tribunal contém todos os ingredientes necessários para deixar o público roendo as unhas: o conflito astuto e ácido entre defesa e acusação, reviravoltas quando novas provas são divulgadas, segredos e podres vindo à tona a cada novo depoimento de testemunha e claro, muita coisa em jogo: um inocente pode ir para a prisão, um culpado pode se safar.



Quais são os principais elementos de uma boa história de tribunal?


  • Um histórico emocional entre os advogados de acusação e defesa. Para apimentar a rivalidade, é muito mais legal quando existe um passado complicado. Um advogado inescrupuloso da defesa roubou a esposa do advogado bonzinho da acusação (quando o réu é culpado, claro). Um dos advogados é o pai controlador da outra advogada idealista. Os dois foram amantes em dias mais felizes. As possibilidades de treta são infinitas.

  • Uma hiper reviravolta. O cara que achávamos ser inocente começa a parecer culpado. A mulher com todas as provas contra ela pode ser inocente. Novas evidências, depoimentos surpreendentes de experts, vale tudo para o público falar “QUÊ?”

  • Conflitos internos. Um advogado negro precisar defender um racista, uma advogada feminista ter que defender um estuprador. Um pai de família precisa defender um assassino de crianças. Qualquer coisa que nos faça questionar até onde vai a ética, a lealdade, o idealismo, a carreira.

  • Um(a) juiz(a) difícil. Com trejeitos, personalidade forte, língua afiada. O juiz é detentor do poder no tribunal, e na interação dele com os advogados, há muita oportunidade para surpresas, tensão, indignação e recompensas.

  • A escolha crítica. Bem antes de um grande momento do julgamento, seja o último depoimento – do réu, de preferência – ou dos argumentos finais, a advogada do bem precisa fazer uma escolha difícil, na qual colocará sua coragem, astúcia e ética na jogada.

  • O assistente do advogado. Essa pessoa é quem vai atrapalhar, mas com boas intenções. É o aprendiz, o “sidekick” que no final salva o dia descobrindo algo importante e se redimindo das merdas passadas.

  • A testemunha mentirosa. Essa dispensa apresentações. Mas é legal pensar nas motivações dessa pessoa para cometer perjúrio.

  • A Mídia. Os jornalistas que vazam informações, levantam surpresas e fazem perguntas capciosas enquanto perseguem os advogados com seus microfones estendidos.

Veredito


Sem conhecimento da lei – na teoria e na prática – fica muito difícil escrever um courtroom thriller. Mas se você tem esse conhecimento, pode acabar prejudicando a parte de storytelling, querendo aproximar demais o livro da realidade e esquecendo-se do que o leitor espera ler num thriller desses. As dicas acima servem bem nesse caso, para lembra-lo dos elementos que tornam esse tipo de história interessante para os leitores. Também servem para quem quer ambientar apenas parte do livro num tribunal e tem algum amigo conhecedor da lei e da prática da lei que pode servir como consultor.


Para ver minha lista dos melhores filmes de tribunal, clique aqui.

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