Tudo que você precisa saber sobre serial killers em 5 minutos

Um post não vai transformá-lo num Robert Ressler ou numa Ilana Casoy, já que um profiler precisa estudar psicologia, sociologia, criminalística, um pouco de biologia, e claro, ter muitos anos de experiência entrevistando, estudando, analisando e caçando assassinos em série. Mas você pode saber o suficiente para organizar melhor suas ideias sobre eles, e claro: evitar falar e escrever besteiras. Vamos ao nanocurso sobre serial killers:


1- “Psicopata” e “serial killer” não são sinônimos


Eu sinceramente gostaria de tatuar isso na testa, mas seria difícil conseguir emprego e manter conversas casuais.


A psicopatia é uma estrutura psíquica, o serial killer é a pessoa que comete os crimes. A maior parte dos psicopatas não matam, e é possível que alguns serial killers não sejam psicopatas. Uma forma de comparar seria falar sobre os pedófilos. Não é crime SER um pedófilo porque ninguém pode prender você pelo que você pensa ou sente. O que é crime é agir em cima do impulso e abusar de uma criança. Existem pedófilos que nunca chegam a encostar em crianças, controlando seus impulsos. Existem também compulsivos sexuais que não são pedófilos, mas na falta de outra forma de “alívio”, chegam a abusar de crianças. Não dá para tratar a condição e a ação como a mesma coisa.


2- Há diferenças entre assassino em massa, assassino em série e spree killer


Então vamos a elas. A definição varia de acordo com eventos. Um cara que tem um surto e mata a avó e depois vai até uma loja e dispara contra as pessoas ali, por exemplo, é um spree killer. Ele sai matando num dia só e em dois ou mais locais distintos. Já um assassino em massa é aquele cujo objetivo é matar a maior quantidade possível de pessoas. Isso pode ser feito com bombas e até veneno, como o caso do Tylenol murderer, que envenenou uma quantidade enorme de remédios Tylenol, obrigando a empresa a tirar todos os remédios das prateleiras. O school shooter, pessoa que entra numa escola e dispara contra os colegas, pode ser considerado um tipo de assassino em massa. Já o serial killer... (leia o próximo tópico)


Trecho do manual do FBI que foi compilado e transformado no livro "Profilers" por John H. Campbell e Don DeNevi, a melhor aquisição que já fiz para minha biblioteca de true crime

3- O que configura um serial killer?


Pela definição do FBI: um indivíduo que assassina 3 ou mais pessoas com um período de descanso entre os assassinatos, em mais de um local.


Não é a estrutura psicológica que define o serial killer, entendem? Seguindo essa definição, um mafioso que pessoalmente mata 3 ou mais pessoas, assim como um traficante que suja as mãos assim, é um serial killer. O mesmo com assassinos de aluguel. Aí há um subtipo de assassino em série, que é aquele pelo qual nos interessamos: o que mata como um predador, por prazer, com certa ritualística nos crimes para realizar uma profunda e enraizada fantasia.

4- Serial killers podem ser do sexo feminino, mas são diferentes e em quantidade inferior


A maior parte dos serial killers são homens brancos, mas é claro que há assassinos negros (muitos, também) e mulheres (menos). A maior diferença entre os gêneros é que raramente a assassina em série mata por tesão puro e sadismo. A Elizabeth Bathory é um exemplo, mas também é raridade entre as raridades. Em sua maior parte, serial killers mulheres são anjos da morte, que matam idosos, enfermos e bebês; viúvas negras, motivadas por ganância; e mulheres que matam com parceiros dominantes do sexo masculino, como Karla Homolka. Ela não é nenhum anjinho, mas é improvável que teria virado uma serial killer se não tivesse conhecido Paul Bernardo.


5- Os rituais não são tãaaaaaaaaaaao complexos quanto a ficção mostra


É claro que serial killers fazem coisas que nos deixam perplexos, não importa há quantos anos os estudamos. No entanto, existe menos ritualística na vida real do que na ficção. Há elementos no crime que não são necessários para o crime ser executado – um tipo de nó específico numa corda, o uso de um acessório, a repetição de uma frase – e isso sim faz parte do ritual. No entanto, alguns filmes e séries mostram crimes extremamente complexos, do tipo “o assassino só mata em noites de lua cheia exatamente às 15:03 da tarde vítimas que fazem aniversário no dia 29 de outubro e usam meias amarelas”. Pisa no freio, roteirista, esse cara não existe.



6- Serial killers não são gênios do crime


Esse é o cliché que mais irrita os agentes do FBI. Assim como na população geral, há assassinos em série muito inteligentes, de inteligência média e pouco inteligentes. Simples assim. As pessoas idolatram Ted Bundy, que se apresentava a várias vítimas e vítimas em potencial dizendo “Oi, eu sou o Ted” e deixava-se ser visto tentando levar mulheres para seu carro por muitas, muitas testemunhas. Ted era manipulador e charmoso como a maioria dos psicopatas, mas academicamente não era nenhum gênio. Ele deu sorte algumas vezes, e a polícia errou em outras, só isso. Já Ed Kemper tinha um QI bem acima da média e era inteligentíssimo. Ottis Toole, Aileen Wuornos e Richard Trenton Chase tinham o QI de médio para baixo.


Ed Kemper, um dos poucos serial killers com QI de gênio

7- Nem todos tiveram infâncias abusivas, mas a grande maioria teve


Quase todos serial killers sofreram abusos ou negligência quando crianças, mas muitos, como Ted Bundy e Jeffrey Dahmer, não tiveram infâncias muito piores do que a maioria de nós. Entre os problemas mais comuns nas histórias desses assassinos estão: pais violentos, pais separados, abuso sexual feito por pai, padrasto, vizinho ou amigos dos pais, acidentes, pobreza, incidentes de testemunhar violência e sexo ainda muito crianças, família extremamente religiosa ou que considerava sexo um problema, exposição a pornografia muito cedo, alcoolismo ou uso de drogas na família.


8- Serial killers não têm cara de serial killers


Eles variam entre pessoas bonitas e feias e raramente se comportam de forma esquisita em público ou em família. Assim como pedófilos, serial killers são aquelas pessoas que quando descobertas, provocam nos seus conhecidos a famosa frase: “Eu não consigo acreditar, ele era tão normal!” São pessoas que precisaram desenvolver uma persona capaz de viver a vida como as pessoas comuns. Conseguem conter sua raiva, impulsos e agressividade para serem liberados apenas com suas vítimas. O serial killer raramente é o cara que grita com uma garçonete que derruba o suco nele. Ele é o cara que a assegura que está tudo bem, mantém um sorriso, continua comendo e ainda dá uma boa gorjeta. Ele passa desapercebido, ele se veste de maneira comum, ele pode ter uma família e filhos e eles provavelmente o adoram.


Apenas suas vítimas os conhecem de verdade.


John Wayne Gacy, o Palhaço Assassino, considerado um honesto homem de família pela sua comunidade

9- Serial killers podem parar de matar


Parar é raro, uma vez que matar é um vício para eles. Mas muitos pararam completamente de matar, e outros conseguiram interromper suas atividades por muitos anos, como o Dahmer e o BTK. Alguns se entregam, como Ed Kemper, que telefonou para a polícia e esperou horas, no mesmo lugar, sentadinho, até irem busca-lo.


10- Serial killers não são “loucos”


Com algumas exceções de assassinos que eram legalmente insanos, a devastadora maioria dos serial killers são “sãos”, ou seja, sabem a diferença entre o certo e o errado. Sabem que o que fazem é errado, e por isso, tomam precauções para não serem detectados. Alguns têm doenças como esquizofrenia, como é o caso do Vampiro de Sacramento, Richard Trenton Chase, outros são borderliner, como Jeff Dahmer. A grande maioria é psicopata. Raramente são loucos. E talvez isso seja o mais assustador.

Rodney Alcala, o Dating Game Killer, condenado três vezes à morte nos EUA

Quer conhecer minha opinião sobre os maiores assassinos em série de todos os tempos? Confira o canal Serial Chicks, onde eu e a psicanalista e escritora Paula Febbe dissecamos as histórias desses assassinos e suas vítimas. Clique aqui para ir ao canal.

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