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Dá para viver de escrita no Brasil?

Um autor de ficção, no Brasil atual, consegue mesmo se manter com essa profissão? Bora lá que vou te dar a real.


Qualquer pessoa querendo te vender algum curso ou treinamento vai dizer que é possível viver de escrita e vai te ensinar, mas não é bem assim. O mercado está cheio de promessas, então é sempre bom manter os pés no chão e usar a lógica, não as emoções, na hora de gastar seu dinheiro.


Seu estilo de vida determina tudo


Em primeiro lugar, vamos definir o “viver de”. O custo de vida de uma pessoa de 23 anos que mora com os pais na cidade pequena X é diferente do custo de vida da pessoa com 45 anos e 4 filhos morando na cidade Y.


Se você mora numa cidade onde o custo de vida é baixo, não tem filhos e tem um estilo de vida de poucos gastos, obviamente vai ser mais fácil viver da sua arte do que uma pessoa com uma vida muito mais “cara”. Alguns desses fatores são escolhas, outros não. Além disso, há outras questões socioeconômicas envolvidas na renda de um indivíduo. Portanto, não é o “viver de escrita” que determina o sucesso de um autor.


Royalties


Precisamos também entender o que significa "de escrita". O dinheiro que um autor ganha com as vendas dos seus livros é uma porcentagem, geralmente 10%, em cima do valor de capa do livro. O nome dessa porcentagem é "royalties". Alguns autores conseguem se manter com as royalties que ganham da Amazon vendendo ebooks. Outros, de royalties de editoras e ainda outros, das vendas diretas dos seus livros, via lojas físicas e online e/ou crowdfunding. Viver só de royalties, sem nenhuma outra fonte de renda, é possível, mas raríssimo. Isso só é possível quando você for realmente um bestseller.


"Mas os caras escrevendo livros de autoajuda estão ricos!" Por isso este artigo indica, lá no subtítulo, que estamos falando sobre autores de ficção. Não confunda as coisas.


Renda passiva e vitalícia


O lado bom é que um livro pode dar dinheiro para sempre! Enquanto ele estiver à venda, ele vai fazendo dinheiro para seu autor, portanto, quando você tem 10, 15, 20 livros publicados, mesmo que todos vendam apenas moderadamente bem, sem nenhum bestseller, você pode sim viver com suas royalties e o que é melhor: a renda é passiva.



Em outras palavras, é a constância que determina se você vai viver ou não de livros, não necessariamente se você é um autor independente ou de editora. A carreira de autor implica escrever e publicar periodicamente (o ideal é lançar um livro por ano), para criar uma base de leitores. Portanto, não faz sentido desistir depois de 2 ou 3 anos. Esse é o tempo só de aquecimento. Essa carreira é uma maratona, então reajuste suas expectativas para esperar trabalhar muito até conseguir resultados.


Vendas para o audiovisual


Além de royalties, você pode ter a sorte de vender os direitos audiovisuais do seu livro. Eu digo "sorte" porque não é só trabalhar muito. Conseguir chamar a atenção de uma produtora exige também conhecer pessoas, aparecer muito em eventos e mesas, e claro, fazer um trabalho bem-feito.


Muito cuidado! Nosso mercado está transbordando de picaretas. Se o produtor te oferecer “comprar os direitos”, mas só te pagar quando vender o projeto, fuja! Não seus direitos a ninguém que não esteja disposto a pagar por eles. Cuidado com contratos muito longos (prefira contratos de no máximo 5 anos) e ofertas muito baixas.


Adaptações dão dinheiro em etapas distintas. Um pouco da grana entra quando você vende os direitos, mas o dinheiro "grande", por assim dizer, só entra quando esse projeto é comprado pela empresa que irá transformá-lo em série, filme etc. Mais dinheiro entra com as renovações (por exemplo, de temporada. Isso também depende do contrato). Esse processo todo, no Brasil, é bem lento, então tenha fé, mas ajuste suas expectativas e nunca assine um contrato sem falar com um agente literário, advogado ou alguém que está no meio há muito tempo e tem experiência.


Outras fontes de renda


O autor que já está no mercado há um tempo, mesmo sem nenhuma grande editora ou bestseller, também consegue outras fontes de renda, quando se mostra profissional. Elas são: cursos, palestras, participações pagas em mesas e eventos, elaboração de paratextos (introduções, prefácios, posfácios) para editoras etc.


Viver de escrita x viver de literatura


Antes de conseguir viver de escrita, você pode viver de literatura. Há diversos serviços que pode prestar, como revisão, leitura crítica, preparação e edição, tradução, design, copywriting, ghostwriting, cursos... mas não ofereça um serviço que não tem preparo para prestar. Se você não tem experiência e conhecimento para oferecer um serviço, pode acabar estragando um projeto literário e causando sérios danos ao livro e carreira de um autor.


Estude! Profissionalize-se. O bom profissional não fica sem serviço no mercado editorial.


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